As cores sempre foram um tema de observação e estudo do ser humano, estando intimamente relacionadas com nossa forma de nos expressar no mundo. É através das cores que os registros mais antigos da humanidade chegam até nós, sendo utilizadas por nossos ancestrais para registrar seu modo de vida e expressar sua espiritualidade nas chamadas “pinturas rupestres”.
De civilizações anteriores à nossa conhecemos a forma como os antigos egípcios relacionavam as cores aos arquétipos planetários. Na Grécia Antiga o filósofo Aristóteles descreveu as cores como uma propriedade dos objetos, assim como peso, forma e textura. Mais adiante, no Renascimento, Leonardo da Vinci se opõem a Aristóteles, afirmando que a cor não seria uma propriedade dos objetos, mas da luz.
Johann Wolfgang von Goethe (1749 – 1832) não seguiu a tendência dominante do materialismo científico, que encontrava nos experimentos de Newton a explicação para a cor como fenômeno físico. Seus primeiros escritos sobre as cores datam de 1791 e a investigação sobre elas o ocupará durante os próximos 30 anos, quando publica a Teoria das Cores (Farbenlehre), em 1810.
Em sua Teoria das Cores, Goethe propõe um método revolucionário de observação, o qual integra o observador na experiência. A respeito do trabalho que Goethe desenvolveu sobre as cores, Rudolf Steiner afirmou:
“A Física moderna não conhece a “Luz” no sentido goetheanístico. Tampouco conhece a “Escuridão”. A doutrina das cores de Goethe movimenta-se em um domínio que não é tocado pelas determinações conceituais dos físicos. A Física não conhece os conceitos básicos da doutrina das cores de Goethe. E não pode, absolutamente, emitir um julgamento para esta teoria. Pois Goethe começa lá, onde a Física acaba”.
No capítulo “Efeito sensível-moral das cores” Goethe afirma que as cores têm caráter próprio e que cada cor tem uma atuação característica sobre o psiquismo humano: elas nos levam a sentir de forma específica e provocam em diferentes indivíduos reações e comportamentos similares. E ainda que se possa tomar a cor sob uma perspectiva simbólica, como acontece na pintura, sempre encontraremos o caráter de cada cor como um elemento anterior ao simbólico, e a ele combinado.
Na atualidade a Psicologia das Cores estuda o comportamento e reações de indivíduos submetidos à exposição de determinadas cores. Com base nesse conhecimento a publicidade e os meios de comunicação usam da cor de modo a potencializar seus resultados, com o objetivo de direcionar comportamentos, chamar a atenção, despertar interesse e desejo.
Rudolf Steiner encontrou no método investigativo de Goethe os elementos que fundamentam a união entre a ciência, a filosofia e a espiritualidade. Um de seus campos de investigação foi a busca da natureza sensível-suprassensível da cor e do ser humano, e a misteriosa ligação entre estas duas entidades. Assim como Goethe, Steiner desenvolveu trabalhos artísticos que permearam suas pesquisas científicas. Ambos pintaram, desenharam, escreveram poemas e peças de teatro.
Hoje, na área da saúde, numa perspectiva ampliada pela Antroposofia, a Terapia Artística vê as cores como manifestações das nossas emoções. As cores trazem em si qualidades anímicas, que vivem na nossa alma. Sendo assim, essas cores que trazem características e qualidades próprias vivenciadas pelos nossos olhos de forma fisiológica, podem atuar no corpo físico.
Como pintora, mas também pesquisadora, Liane Collot d’Herbois (1907 – 1999) trouxe uma nova dimensão ao trabalho seus predecessores. Estudiosa das leis que agem no fundamento, anterior à aparência da cor, foi capaz de criar uma forma de pintar. Conhecedora de como as mesmas leis agem em nossa constituição, desenvolveu um trabalho de cura através das cores.
Para Liane Collot d’Herbois a cor também é movimento e nasce da interação entre luz e escuridão. A cor está ligada ao sentir, às nossas emoções. Segundo Collot:
“Quando vemos cor e as variações de cor, nossa alma faz os mesmos movimentos que as cores fazem. Porque o que é pintura sobre o papel no mundo físico, é o mundo da alma, seres vivos movendo e interagindo num espaço infinito.”
A observação da natureza e suas cores pode trazer bem-estar, reestabelecer saúde e equilíbrio.
Experimente fazer um exercício de observação e percepção da natureza. Pode ser um entardecer, a mudança das cores do céu, a transição do azul para o amarelo, laranja… depois o azul escurecendo enquanto o sol se põe. Observe como as cores se misturam, elas estão vivas e em constante movimento. Isso pode ajudar a despertar para as forças criativas e curativas da natureza.
Algumas cores e qualidades que podemos conhecer ao entrar em contato com sua atmosfera:
Magenta, a cor que acalenta.
Carmim, a cor que aquece o coração.
Laranja, alegria, foco e entusiasmo.
Amarelo, luz radiante, direção.
Designer de produto formada pela UEMG | Artista Plástica e Ilustradora
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